Viu estrelas e cometas passarem preenchendo aquela galáxia tão cheia de
vazios. Viu a luz do Sol enfraquecer e a Terra diminuir sem que houvesse
um horizonte onde se esconder. E na solidão de uma pequena nave pensou
em sua amada tentando esquecê-la. De que valia amar alguém que partira
em uma viagem sem volta?
O astronauta, veterano de uma guerra outrora presente apenas na ficção,
partia para um planeta distante não com a esperança de recomeçar, mas
apenas encontrar um final melhor. Viveria em uma terra estranha e de
falsos amigos. Deveria ser sua sentença por não gritar o que sentia
enquanto era tempo.
Sequer imaginava que ainda nem começara a viver.
Sob disfarces e mentiras foi bem recebido por uma princesa com nome de
flor. E, quem diria, em sua vida de espião encontrou a verdade. Ela era
princesa, era esposa e era mãe, e para ele tornou-se amiga. Novamente
amizade. Sempre amizade. Ela falava da vida, dos medos, dos tempos
perdidos. Em seu quase-silêncio o homem tudo escutava.
Mal percebeu quando em seu jardim morriam os lírios e nasciam narcisos.
Tão vivos quanto a filha do rei ao qual jamais serviria.
Guerras foram declaradas e ele cumpria seu papel sem questionar.
Batalhas se faziam no céu infinito onde o grito de guerreiros se perdeu
sem jamais ecoar. Mas seu lugar era no chão, entre as flores do novo
jardim que aprendera a cultivar.
A bela flor estava solitária. Com um príncipe distante ela mostrou-se
menos princesa e mais flor, menos amiga e mais amor. Sob a luz de um
velho sol que parecia sempre se por, o astronauta espião compreendeu que
em seu coração habitava um novo amor. Um amor proibido, mas ao menos um
amor correspondido.
Originalmente publicado em: http://oreinoperdido.blogspot.com.br/2015/12/sob-luz-de-outro-sol.html
Bom dia a todos. Hoje inauguramos uma nova coluna no aqui, a "Além do Coletivo". A intenção dela é simples: divulgar pérolas perdidas e não comentadas na blogosfera literária. Para isso fechamos parceria com alguns blogueiros. Nóis por nóis.
Vou começar as indicações por um blog que tem sido recorrente em nossa fanpage, e que anda prestigiando muito de nossos autores. Recomendo justamente uma postagem que contém um texto do Marcos Honorato, meu preferido, que ainda não foi publicado aqui nesse blog. Podem conferir aqui.
Depois, vamos ao blog de Frank S. C. Writer. Optei por indicar um conto com um quê de regionalismo, e personagens bem cativantes, além de um final surpreendente, leiam Cavalo Negro.
No blog Papo Sério temos textos sobre relacionamentos, muitas vezes, com uma pegada bem interessante. Quem é meu amigo está acostumado a ter um ou outro texto desse blog indicado, para vocês, fica um dos mais lindos: Talvez amanhã seja tarde demais para você.
Se me permitem, quero SIM encher de moral o Luigi, pois tem um blog MUITO bom, com um texto melhor que o outro. Recomendo que comecem a ler por esse e não parem.
Da Elizine Dias vou recomendar a carta de um rapaz que merecia um belo tiro no joelho, e nunca mereceu o amor da Júlia, o que vocês podem entender lendo-a aqui.
E por fim, mas não menos importante, o blog de Carlos. O conheci ontem, li um texto e gostei bastante da escrita, mas optei por procurar outro, já que aquele era a segunda parte de uma história. E nisso de procurar algo por lá, me surpreendi tanto positivamente... Infernos Pessoais é incrivel. Tanto me gelou a alma quanto me aqueceu o coração. Recomendo demais.
O prédio era baixo
A piscina era rasa
Os viadutos chamavam pelo nome mas o traje era de gala
Não há uma ponte nessa cidade que não tenha me convidado pra
sair.
O assaltante não estava armado
Garotos e simulacros
Testando peitos de aço, enfrentando o que vir
E não há meliante nas cadeias que não saibam de mim.
A dose foi pequena
O ladrão teve medo
A faca não entrava, mas eu a convidei para jantar.
E a dama com uma foice foi sem me esperar
E não há anjo no céu que não tenha dó de mim.
Você me dizia:
"fica mais um pouco";
eu te sorria:
"me leva de um canto a outro.
O amor nos fazia
nos sentir um ponto torto
e a gente fingia
que o mundo era o nosso porto.
Nos cantos desse nosso caminho
perdidos em nossos carinhos
eu me encontrava e vivia
cada vez que te sentia.
"fica mais um pouco";
eu te sorria:
"me leva de um canto a outro.
O amor nos fazia
nos sentir um ponto torto
e a gente fingia
que o mundo era o nosso porto.
Nos cantos desse nosso caminho
perdidos em nossos carinhos
eu me encontrava e vivia
cada vez que te sentia.
Originalmente publicado em: https://www.instagram.com/p/BH09A24AUca/
Perdi-me nas lacunas nebulosas da vida.
Perdi-me enquanto procurava algo dentro de mim.
Perdi-me nos retalhos mal costurados da vida,
que antes, achei que não existiam.
Perdi-me nas brumas frias do inverno,
nas esperanças foucaultianas.
Perdi-me no emaranhado de sonhos lúcidos.
Perdi-me em busca de demônios,
encruzilhando todos os lampejos vivenciais.
Perdi-me tentando ser alguém que gostasse.
Perdi-me amando demais.
Perdi o teu vestido.
Sentando, em acalento, ele repousava.
O sol sorria e esbracejava:
- Ego imposto, ego reposto!
Tu, no banco, olhavas-me
ladeada de ilusão.
No pó do chão,
amor e ódio.
No pó do chão,
o cansaço.
Com melodia lírica,
perdeu teu contato no meu,
esqueceu teu corpo no meu.
Deteriorou teu sentimento no meu.
Esperava de mim, uma fuga.
Dei-te confusão.
Perdi-te.
Perdi-te para a paixão desenfreada.
Perdi-te para a ânsia atroz.
Perdi-te flutuando,
em uma caravela destoada.
Perdi-me na esquina sem nome.
Encontrei-me dias depois,
ancorado no mar.
Originalmente postado em: http://depressivel.blogspot.com.br/2017/02/perdido-le-se-ansia.html
Sonic Youth
- Evol
Vamos falar um pouco sobre o Sonic Youth, a banda foi formada no
início dos anos 80. Thurston Moore (vocal e guitarra), Lee Ranaldo (vocais e
guitarra) Kim Gordon (vocais e baixo)
Steve
Shelley (bateria) foi a formação clássica do Sonic Youth, que contava também
com Mark Ibold (baixo) na sua formação original.
O disco Evol, de 1986, é um clássico; e posso até citar porque não, um
cultuado album.
E ponto de
partida para uma carreira mais sólida, menos apegada as vertentes de noise rock
e
do
movimento no wave, que teve início no final dos anos 70. Não confundam, é
"No wave" mesmo, não é "New wave". Eu, particularmente,
gosto muito desse álbum.
A primeira faixa, Tom Violence abre o disco lindamente com uma melodia
mais pop, em relação aos discos anteriores. Mas ''pop'' dentro do Sonic Youth
seria algo mais do tipo, uma combinação mais coesa e tudo mais(vocais: Thurston
Moore), uma parte da letra dessa música "My violence is a dream, a real
dream, a skinny arm...'' Essa música é extremamente marcante. Considero essa
uma das minhas músicas preferidas do Sonic Youth, entre todos os albuns da
banda.
A segunda faixa, Shadow of a Doubt, com a voz soturna e arrastada de
Kim Gordon, entre sussurros, a canção vai crescendo com alguns gritos,
delírios, algo bem abstrato e confuso, que logo em seguida vai ficando mais
lento novamente, levando uma melodia calma e de alívio aos ouvintes.
Pulando a terceira faixa, Star Power, temos In the Kingdom #19,
digamos assim, ''declamada'' por Lee Ranaldo.
Green Light é a quinta faixa do álbum, nessa posso comentar a estranha
combinação de algo pop com algo angustiante e alucinado. (vocais: Thurston
Moore) Na sexta faixa, temos um som barulhento e experimental, Death to Our
Friends.
Sétima faixa, Secret Girl, uma música, com toda a certeza, que pode
mexer com qualquer um que está ouvindo. Sinto essa música como uma espécie de
''prece, oração, pedidos, suplícios''. Porém bem agradável, tudo muito bem
acertado, aos padrões do Sonic Youth é claro. (vocais: Kim Gordon)
A oitava faixa é Marilyn Moore, uma música escrita por Lydia Lunch.
Cujo trabalho eu não conheço muito bem para poder opinar, porém, de grande
importância para os anos 80. Boa faixa também, com distorção lenta (Over and
over and over again). (vocais:Thurston Moore)
A nona faixa, Expressway to your skull, temos mais um clássico da
banda. (vocais:Thurston Moore) e na décima faixa, fechando o disco, Bubblegum,
um cover praticamente pop, literalmente com alguns traços de punk rock
tradicional.(Vocais: Kim e Thurston)
Enfim, vejo o Sonic Youth como uma banda que, de vários pontos
diferentes, moldou, criou e ajudou, posteriormente (E MUITO) a cena alternativa
de todo o mundo, sendo assim marginal por definição. Kurt Cobain, do Nirvana,
era um grande fã da banda. As bandas das décadas que vieram depois do S.Y, no
cenário underground, beberam muita dessa fonte. E até hoje é assim.
Infelizmente a banda terminou há alguns anos, por motivos pessoais, até onde
fiquei sabendo, mas o legado deles é grande, conta com uma bela discografia.
Postagem por: Raphael Endless
"E, também como digo, várias vezes, nós somos igualmente responsáveis
pelo dano que nos causam, pela roupa que deixamos que nos arranquem do
corpo, já fraco. Sim. Porque somos ingênuos, porque somos demasiado
espontâneos, porque damos demasiado de nós, sem saber o quão receptivo ou
preparado para isso está o outro. Então, depois, vamos dizer a todos o
quanto dói esta ferida aberta, que não passa da nossa ingenuidade, não
é?"
Com esse trecho, retirado diretamente de um blog do velho continente, começo uma missão um tanto quanto curiosa: tratar sobre um texto de uma forma mais informal que o meu costume. O texto em questão é "Feridas", de autoria da Bea AMP. Bea é uma pessoa peculiar, que se descreve como alguém que se esconde por não saber o que fazer. Apaixonada verdadeiramente por literatura, trata sobre o tema - dentre outros - em seu blog, o Pseudo Psicologia Barata.
O principal recurso da escrita da Bia não é, de forma alguma, inovador. Isso deve ser um dos principais motivos dela usa-lo tão bem, de forma a fazer com que alguns dos seus textos sejam magníficos, como por exemplo, Tu. Vou tomar as palavras de Rob Camilotti, autor já tratado aqui no Coletivo nesse post e descrever o recurso que ela usa como sangue. Sangue que escorre em uma escrita extremamente carnal.
A luz da minha própria teoria, e sob o risco de ser contestado ela autora, considero "Feridas" uma bela poesia. Seus versos, emaranhados como os pensamentos do Eu poético, colocados no papel pela autora. Sua prosa é justificada pela visceralidade do que precisa ser dito. Não há tempo nem espaço para métricas e versificação na escrita do texto, há urgência, há sangue, há uma exposição sem pudores, dedos... Qual ferida aberta, é muito mais impactante do que belo.
O texto é mais um acerto de Bia, da qual recomendo fortemente o blog. Sério, cliquem aqui.






