Vem com a gente!
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        As nuvens escuras no fim daquela tarde eram atenuadas pelo céu, que, ainda que escuro, cobria o horizonte delicadamente com seus suaves tons de azul. Meu olhar voltava-se para cima, e, em contemplação, mergulhava profundamente naquele céu que abraçava-me como quem afugentava meus piores medos e oferecia-me abrigo em um sorriso brando e familiar. Azul, como a mácula que teu peito trazia junto ao meu e escorria, derretia, deleitava-se em encantos e trazia-me para teu mundo, onde teu abraço me acalmava e teus olhos me fitavam. Azul, como a ternura de teus beijos, que me levavam para um voo pelo teu céu de sonhos, cortando as nuvens, rasante ao oceano azul, diante do horizonte infinito. A melodia que de teus dedos respingava, recaindo sobre meu sonhar como cada gota de chuva caía pelo lado de fora da janela. A chuva, ainda forte, adiava minha partida. Teus braços, que ainda me acolhiam, me convenciam a ficar por mais algum tempo. Das surpresas, o céu se acendia diante de nós, mostrando-nos o brilho de suas estrelas e a vastidão de suas constelações. A grandiosidade do universo a contrastar com aquele pequeno minuto, grande o suficiente para fazer morada em minha memória, naquele momento parecia colocar-nos diante de sua atemporalidade, levando-nos a outros lugares, longe de nossas próprias consciências. Em teus braços, enquanto viajava, havia segurança. Os segredos angustiados eram acolhidos e acalmados por suaves mãos. As palavras que voavam trêmulas pelo ar encontravam em teus ouvidos um lugar para repousar. Em teus olhos, havia um céu para voar. Azul, como o teu perfume a abraçar-me enquanto fitava aquele céu, buscando nele poder ver o azul que me cobria quando teus braços me cercavam. Azul, como aquele novo céu em que voava, mas que trazia-me o reconforto de quem chega em casa.

Originalmente publicado em: http://espelhodetempestade.blogspot.com.br/2016/03/azul.html

Quisera o vento em meu rosto,
Em Leve brisa amanhecida,
A tocar-me gentilmente como farias
Lembrar-me-ia então do doce gosto
Que na mente ficasse enquanto sonharias
E mais uma vez, mais um sol, num novo dia
Traria de ti para mim aquela canção esquecida.

Quisera aqueles beijos macios, tais como nuvens passageiras
As quais contemplamos, maravilhados
A esvoaçar, claras, pelo infindo azul celestial
Enquanto tento, com os dedos, em minhas mãos contê-las
 Esquecendo-me ao teu lado do que é normal
Pois deslumbrantes são os dias que tens transformado.

A grande árvore, a esconder em seus galhos pequenos pensamentos
Que de mim insistem em fugir quando tento dizer-te o que soa por dentro
Faz sombra para acolher nossos sonhos
E protege do desamor nossos olhos desatentos
Ei-la, a balançar seus galhos risonhos,
Ei-me, a tremer de ansioso por dentro.

Quisera eu imergir no escuro de teus olhos,
Saber se adormece em ti a profundidade do mar,
Se livres voam pelos céus que em mim se erguem,
Se em ti deitam-se sonhos que não sonhariam os mais simplórios,
Se aos meus olhos os teus seguem,
Di-me, enfim, se caibo dentro de teu amar.

Originalmente publicado em: http://espelhodetempestade.blogspot.com.br/2016/08/dos-ventos-foste-brisa.html