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Perdi-me nas lacunas nebulosas da vida.
Perdi-me enquanto procurava algo dentro de mim.
Perdi-me nos retalhos mal costurados da vida,
que antes, achei que não existiam.
Perdi-me nas brumas frias do inverno,
nas esperanças foucaultianas.
Perdi-me no emaranhado de sonhos lúcidos.
Perdi-me em busca de demônios,
encruzilhando todos os lampejos vivenciais.
Perdi-me tentando ser alguém que gostasse.
Perdi-me amando demais.
Perdi o teu vestido.
Sentando, em acalento, ele repousava.
O sol sorria e esbracejava:
- Ego imposto, ego reposto!
Tu, no banco, olhavas-me
ladeada de ilusão.
No pó do chão,
amor e ódio.
No pó do chão,
o cansaço.
Com melodia lírica,
perdeu teu contato no meu,
esqueceu teu corpo no meu.
Deteriorou teu sentimento no meu.
Esperava de mim, uma fuga.
Dei-te confusão.
Perdi-te.
Perdi-te para a paixão desenfreada.
Perdi-te para a ânsia atroz.
Perdi-te flutuando,
em uma caravela destoada.
Perdi-me na esquina sem nome.
Encontrei-me dias depois,
ancorado no mar.
Originalmente postado em: http://depressivel.blogspot.com.br/2017/02/perdido-le-se-ansia.html
